O estudante Igor Bastos acaba de ser aprovado em uma das 20 melhores universidades dos Estados Unidos para cursar Ciências Políticas com bolsa de 100%, tornando-se o primeiro itabunense a conquistar essa oportunidade. A instituição estadunidense de ensino superior particular é católica, vinculada à Congregação de Santa Cruz e fica em South Bend, no Estado de Indiana. Além de compartilhar sua conquista com os pais Lussiede Bastos dos Santos e Moacir de Matos Silva, o novo acadêmico se disse imensamente grato ao prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), ao secretário de Relações Institucionais, Rosivaldo Pinheiro, por tê-los ajudado quando mais precisou. “Estou entrando em contato para compartilhar uma notícia muito especial e, ao mesmo tempo, agradecer pelo apoio que o senhor me deu no passado”, escreve a secretário. (Saiba Mais, Click no Ícone Abaixo)
“Lembro-me com carinho do apoio que o senhor me deu, apoiando minha ida até Harvard e dando aquela força junto ao prefeito. Esse incentivo, certamente fez diferença na minha trajetória. Desejo todo o sucesso do mundo ao senhor e sinto-me honrado por poder, de alguma forma, levar um pouquinho da nossa cultura e do nosso povo para Notre Dame”, agradeceu ao ex-secretário municipal da Educação.
Ex-aluno da Escola Cultural de Itabuna e do Colégio Adventista de Itabuna, aos 20 anos de idade, Igor Bastos diz que sempre foi muito curioso e comunicativo. “Desde pequeno gostava de falar em público e encontrava na arte uma forma de me expressar. Além disso, acredito que ter uma família acolhedora e crescer em um ambiente de muito amor foi fundamental para que eu pudesse sonhar grande e lutar pelos meus objetivos”, afirma.
Ele disse ainda que “pelo fato dos meus pais não terem uma formação e crescer vendo-os batalhar para conquistar as coisas, me tornou uma pessoa mais sensível e resiliente. Sem perceber, aprendi na prática o significado de liderança social e ao observar minha avó oferecendo pratos de comida para quem precisava e minha mãe me ensinando, por exemplo, a importância de doar e exercer trabalho voluntário. Esses valores, mais tarde, inspirariam a criação da minha própria ONG”.
“Com meus pais e meu irmão como grandes parceiros, aprendi a sonhar além do que parecia possível. No ensino médio, minha trajetória mudou quando descobri o universo das Simulações da ONU (MUNs), conferências voltadas à discussão de problemas globais. Mesmo sem compreender totalmente o impacto daquela experiência, comecei a participar de diversas conferências”, acrescenta.
“Isso me levou a integrar algumas das maiores simulações do mundo, como a Harvard Model United Nations (HMUN), onde me tornei o primeiro itabunense premiado ao debater temas que iam do futuro do euro aos imigrantes climáticos. Também, nesse mesmo contexto, participei de um programa de verão em Relações Internacionais na Universidade Yale, também nos Estados Unidos”, disse.
“A partir daí, novas oportunidades começaram a surgir. Fui Deputado Jovem Baiano, premiado na Olimpíada Brasileira de Tecnologia e convidado para uma formação de lideranças jovens promovida pelo Príncipe William, do Reino Unido. Mais do que conquistas, essas experiências fortaleceram minha conexão com o significado de ser itabunense e com aqueles que vieram antes de mim”, ressalta.
Nesse mesmo período, Igor fundou sua organização educacional, o Mãos Mágicas, dedicada à democratização do ensino de Libras. Hoje, oferecemos aulas semanais para 150 crianças da Escola Municipal Pedro Jerônimo.
“Também nesse contexto percebi a possibilidade de me candidatar a universidades nos Estados Unidos. O processo foi desafiador, especialmente por envolver um modelo de candidatura ainda desconhecido. No entanto, contei com o apoio da Academia de Liderança da América Latina (LALA), que me acompanhou ao longo dessa jornada. Assim, depois de enviar redações, histórico escolar e toda minha trajetória acadêmica, fui aprovado na University of Notre Dame, com uma bolsa full ride, cobrindo integralmente os custos da minha formação”, relata..
O estudante diz que “o propósito de lutar pela educação o conecta diretamente às perguntas que surgiram no início da minha caminhada: o que estou fazendo para mudar o mundo e qual legado desejo deixar?”, se pergunta.
Para Igor Bastos, “essa conquista foi resultado do esforço, dedicação e da convicção de que a educação pode transformar não apenas a minha história, mas também a de muitas outras pessoas. Meus pais não fizeram graduação e a minha avó era analfabeta. Ou seja, essa conquista se torna ainda mais especial. Se cheguei até aqui, foi porque tive uma família, professores e tantas outras pessoas que acreditaram na minha persistência”, afirma.
Em uma das minhas redações, ele escreve: “descobri que resistir é o primeiro passo para pertencer à comunidade das ‘Pedras Pretas’. Sou feliz em ser filho de Itabuna e poder compartilhar ao mundo o que temos de melhor”, conclui.
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