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Ilhéus puxada do mastro transcorreu em clima de festa

Um dos principais eventos do calendário de verão de Ilhéus, a festa da puxada do mastro de São Sebastião mais uma vez transcorreu em clima de tranquilidade. O evento cultura e turístico, que acontece todos os anos no segundo domingo de janeiro, é realizado pela Prefeitura de Ilhéus, através das secretarias de Turismo, Saúde, Cultura e Indústria e Comércio, em parceria com a Associação dos Machadeiros de Olivença e as polícias Militar e Rodoviária.
Além dos festejos indígenas e religiosos, a parte profana contou com a participação das bandas Batuk Bom, Zahra, Di Bali, Pagofunk e Flor do Caribe. 

Os organizadores estimam que cerca de 5 mil pessoas tenham acompanhado o ritual, que teve início no último dia 4, na mata de Ipanema (que dista cerca de cinco quilômetros do povoado), com a escolha do novo mastro. Paralelo à escolha e retirada da árvore da mata, os machadeiros realizam o replantio de 30 mudas da planta. A tora será colocada no lugar do anterior no próximo dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião.
O secretário municipal de Cultura, Paulo Atto (que responde interinamente pela pasta de Turismo), informou que a festa representa registro significativo do patrimônio imaterial de Ilhéus e integra a tradição, memória, festa e religiosidade da cidade. Por sua vez, o presidente da Associação dos Machadeiros de Olivença, Arivaldo Batista (Camisa), lembrou que na festa sempre aconteceram muitas orações, agradecimentos e rituais em homenagem aos seus ancestrais. 
Origem - Segundo o historiador Erlon Fábio Costa, a Festa da Puxada do Mastro de Olivença teve início do século XVI, com a chamada Corrida de Toras, evento que integrava uma série de representações religiosas alimentadas pelos indígenas da região. “A partir do Século XVIII, passamos a ter a festa com a configuração que chegou até os nossos dias”, ressalta, reiterando que a imagem de São Sebastião desconfigurou a antiga Corrida de Toras e inseriu os símbolos e elementos da Igreja Católica.
Apesar disso, Erlon Fábio Costa enfatiza que o mastro, principal símbolo da festividade e utilizado pela Igreja Católica para sustentar bandeiras de santos em frente aos templos, serve para demonstrar a resistência da comunidade indígena no que diz respeito aos seus inúmeros aspectos culturais. “Também nesse sentido, é importante acrescentar que a Puxada do Mastro é uma celebração onde homens, mulheres e crianças possuem papéis e funções, o que fortalece a participação comunitária e ajuda a explicar o fato de que, ao longo do tempo e ao contrário de outros eventos, essa manifestação se mantém forte e revigorada”, afirma o historiador.

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